A primeira carta a B (carta vermelha)


(...) Meu coração pula ao vê-lo. Continuo.
ele sai do carro. Vem apressado atrás de mim:
- Oi, orgulhosa!
Não respondo e continuo.
- Eu disse oi!
Atravesso a rua, tomada de um pânico inexplicável. Penso que ele irá me bater ali, no meio da rua, na frente das pessoas!
Ele entra no restaurante e eu o perco de vista. Chego em casa, completamente apaixonada, e começo a escrever uma carta num papel vermelho:
"Meu amor, permaneço aqui, nesta cama, quietinha, esperando que você resolva me visitar. Atormentei você com minhas queixas femininas? Me perdoa, amor, eu sou tua escrava, quero você o tempo todo, desde que te conheci minha vagina não me dá sossego.
B, teu nome é de pássaro, de flor, beija-flor, jasmim. Nome de anjo, querubim. Mas é tudo. De resto é um demônio, lascivo e pervertido, ardente e perigoso. Tão doce! O meu demônio, e eu sou um anjo insaciável.
Não sonho ser a tua amada, mas sou tua cadela, permita-me ser uma de tuas mulheres. Meus mamilos são teus, minha pele, minha boca. Você pode fazer o que quiser de mim.
Eu sou tua escrava, você é meu dono. Eu te pertenço. Você manda e eu obedeço; sou teu objeto, não me deixe desse jeito, não farei perguntas nem reclamações, vou apenas te servir, vou beijar teus pés, vou me ajoelhar e imploro que me subjugue; vou suplicar teu pau, estou condenada ao gozo com teu pau, mas só gozarei se você ordenar, só vou gemer se você quiser ouvir meus gemi-dos, mas B, não seja tão cruel, você disse que era o meu macho, e eu estou com fome do teu amor, preciso do teu corpo, preciso de você duro dentro de mim outra vez, absolutamente duro, muitas vezes... estou molhada, amor! Estou macia, pulsando; faminta. Vem me ferir, meu se-nhor, vem te satisfazer em mim, me submeta, me penetre, amor, me fode, vamos esfregar este meu grelo, amor-zinho, preciso arregaçar esta minha fenda, amor, não suporto mais, me possua, por favor, não suporto mais, me abre. B, me coma, eu rogo, me coma. B!! Estou pron-tinha pra você, ardendo, molhadinha, escancarada, lou-ca de desejo...
Meu homem, me domina preciso desesperadamente te dar este meu rabo, ah meu amante, quero ser tua como nenhuma mulher foi antes de um homem, acaso vai me abandonar fogosa assim, ardente assim? Tudo é só pra ela?! Você é um homem tão potente, viril, pode bem dar conta de duas mulheres, não pode?
Goza na minha boca então, meu amor, me alimenta de semen, tenho sede, B, tenho fome, deixa eu me entregar pra você, me entregar todinha, deixa, você deixa?
Não precisa dizer, eu entendo o que você espera de mim, eu sou a tua queixa, um objeto de prazer, não está bom assim? Não tenho sido dócil o suficiente? Se quero apenas te agradar, por que não me diz do que gosta, pra que eu possa fazer tudo a teu gosto?
Então vem logo, estou de pernas abertas só pra você, aguardando tuas taras, não demore, meu amor.
Estou nua, nesta cama, só pro teu uso; então vem, sacie os teus instintos em mim...
Meu anjo, meu senhor, te espero ansiosamente, eu imploro, vem me atender, aguardo o teu chamado, não demore, por favor.
Beijos, beijos, tua, Alma"

Não quero mais bater nele. Ele é quem tem que bater em mim. Não mando a carta.
(...)

O Garçom B diário verídico de um amor sadomasoquista (Record/selo Rosa dos Tempos, 1998) trecho

Izabella Zanchi sob pseudônimo Alma de AssisO Garçom B o diário verídico de um amor sadomasoquista




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